.Sub-projeto 5:
Recomposição florística da mata ciliar do Rio Canguiri e revegetação das margens da Represa do Iraí.

Instituição: Universidade Federal do Paraná - UFPR Tel.: (41) 3505602

Equipe executora:
1 Renato Marques - Coordenador rmarques@ufpr.br
2 Lígia Carla de Souza - Pesquisadora

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1 Engenheiro Florestal, Mestre em Agronomia, Doutor em Ciências Florestais, professor do Departamento de Solos e Engenharia Agrícola da Universidade Federal do Paraná.

2 Engenheira Florestal, Mestre em Engenharia Florestal, Doutoranda em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Paraná.
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RESUMO
Na recomposição de matas ciliares e na recuperação de áreas degradadas são utilizados diferentes métodos, técnicas silviculturais e espécies florestais que são definidas em função da avaliação detalhada das condições do local. Desta avaliação depende a seleção de espécies, métodos de preparo do solo, técnicas de plantio, manutenção e manejo da vegetação. Entretanto, a falta de conhecimento sobre as características silviculturais da maioria das espécies tropicais e a interação com as diferentes condições ecológicas tem, muitas vezes, levado alguns programas de recomposição ao insucesso. O presente projeto tem por objetivos revegetar o entorno da Represa do Irai com espécies florestais, avaliar o crescimento das espécies pertencentes ao grupo ecológico das pioneiras em diferentes tipos de solos e ainda avaliar as modificações físicas e químicas na camada superficial do solo resultante da interação entre a vegetação e o solo. As áreas de estudo serão implantadas no entorno da Represa do Irai, município de Quatro Barras, PR. Serão medidos altura, diâmetro do tronco à altura do peito e área de copa das plantas, sendo as avaliações trimestrais no primeiro ano, semestrais no segundo ano e anual no terceiro ano. As avaliações do estado nutricional das plantas serão feitas através de análise química foliar aos um, dois e três anos de idade. A caracterização dos solos será efetuada através da análise das características físico-químicas, teor de umidade e velocidade de infiltração básica (VIB). Os dados serão analisados de acordo com o Delineamento Inteiramente Casualizados (DIC), esquema fatorial 3 x 5, constituído por três tipos de solo, cinco espécies florestais e três repetições.

1. OBJETIVOS:
Os objetivos deste trabalho são:
· Selecionar espécies arbóreas promissoras para recomposição florística de matas ciliares e revegetação de áreas degradadas;
· Avaliar o crescimento e o estado nutricional de espécies arbóreas pioneiras implantadas sobre situações hidrogeomorfológicas distintas;
· Avaliar possíveis modificações físicas e químicas na camada superficial do solo decorrentes da implantação das espécies arbóreas;
· Criar subsídios para a revegetação de outras áreas do entorno da Represa do Iraí.

2. MATERIAL E MÉTODOS

Levantamento florístico e seleção das espécies adequadas à revegetação
A escolha de espécies adequadas à rápida recuperação de ambientes degradados deve ser baseada primeiramente em levantamentos florísticos e fitossociológicos de cada região, como os realizados por Carvalho et al (1992) citados por Farias (1994).
Os levantamentos serão realizados através de caminhamentos na área para se determinar a densidade de cada espécie na área remanescente.

Parâmetros avaliados:
Biológicos
· Altura total dos indivíduos;
· Diâmetro do tronco à altura do peito (DAP);
· Diâmetro de copa ;
· Desenvolvimento de copa, em altura, dos indivíduos.
No primeiro ano as avaliações serão feitas a cada três meses, no segundo ano serão semestrais e no terceiro ano, anual.
Químicos
· estado nutricional das espécies implantadas: N, P, K, Ca, Mg, Al, Cu, Fe, Mn e Zn.
Edáficos
· serão consideradas as modificações físicas e químicas nas camadas superficiais do solo, em decorrência da introdução das espécies.

3. RESULTADOS
Consulta sobre áreas a serem revegetadas e classes de solos na Fazenda Canguiri.
Para escolha das áreas a serem revegetadas foram considerados dois aspectos: necessidade de revegetação e características de solo e relevo que pudessem influenciar o crescimento das plantas. As áreas desmatadas e que necessitavam serem revegetadas foram identificadas a campo e com o auxílio de imagens aéreas do local. Com relação às possíveis classes de solos existentes, buscou-se informações existentes em levantamento realizado pelo Departamento de Solos da UFPR. A imagem aérea da Fazenda Canguiri, assim como o mapa das classes de solos seguem a seguir.


Figura 1: Imagem aérea da Fazenda Canguiri



Figura 2: Mapa da classe de solos na Fazenda Canguiri


Características das espécies selecionadas para a revegetação de Floresta Ciliar na Fazenda Canguiri
Foram feitos levantamentos bibliográficos sobre as formações vegetais que se encontram sobre influência do Resevatório do Iraí.
Abaixo segue uma sucinta descrição das espécies que foram selecionadas para serem usadas neste projeto. Essas informações fotos das espécies, obtidas em Lorenzi (1992) e Carvalho (1994), encontram-se a seguir:
- Aroeira (Schinus terebinthifolius)
Espécie pioneira, heliófita e pernifólia, com ocorrencia em diferentes tipos de solos, desde os de baixa fertiliade a férteis, úmidos a secos, arenosos a argilosos, com drenagem boa a regular, suportando inundações e encharcamento. É uma espécie que apresenta variável tolerância a geadas, sendo mais sensível no primeiro ano, podendo apresentar queima de brotos terminais.
Para plantios experimentais, esta espécie apresenta melhor crescimento em solos com níveis de fertilidade química média a elevada, bem drenados e com textura franco a argilosa. Recomendada para plantio a pleno sol.

- Bracatinga (Mimosa scabrela)
Espécie pioneira, heliófita e perenifolia. Apresenta ocorrência em solos rasos a profundos, com fertilidade química variável, sendo na maioria das vezes pobres com pH variando de 3,5 a 5,5. Tolera terrenos pedregosos e terraplanados, sendo que solos mal drenados são pouco propícios ao seu desenvolvimento. Esta espécie normalmente não tolera geadas.
Em plantios experimentais, seu crescimento tem respondido à profundidade efetiva e à riqueza química dos solos, particularmente à adição de P. Esta espécie é recomendada para plantios em áreas secas.

- Branquilho (Sebastiana commersoniana)
Trata-se de uma espécie secundária inicial, heliófila e caducifolia, com ocorrência em solos temporariamente alagados com lençol freático superficial. Também pode ocorrer em solos rasos com afloramentos rochosos, em baixadas com solos férteis com drenagem regular, em terrenos inclinados e erodidos, com textura variando de arenosa a argilosa.
O branquilho apresenta tolerância ao frio, sendo recomendado seu uso em plantios mistos com espécies pioneiras. Em um dos poucos experimentos de campo, esta espécie apresentou altura média de 2m e 80% de sobrevivência, em gley pouco úmido e espaçamento 3 x 3m, aos 6 anos de idade.


- Cedro (Cedrela fissilis)
O cedro é uma espécie que pode ser utilizada como secundária inicial até secundária tardia, sendo umbrófila durante sua fase juvenil e heliófila na fase adulta. Trata-se de uma espécie caducifólia, com ocorrência em solos profundos e úmidos, porém bem drenados, com textura franco argilosa, não sendo favoráveis para seu desenvolvimento solos rasos com camadas de pedras e áreas de lençol freático superficial.
A tolerância ao frio desta espécie é variável. Quanto ao seu desenvolvimento no campo, apresenta maior produtividade sob condições de menores intensidade de luz, sendo, portanto, desaconselhável seu plantio a pleno sol.

- Guaçatunga (Casearia sylvestris)
Trata-se de uma espécie pioneira rústica, heliófila e perenifolia, sendo ainda seletiva higrófila. É característica preferencialmente dos sub-bosques dos pinheirais, apresentando, ainda, grande frequência nas formações secundárias, como capoeiras e capoeirões.
Em plantios experimentais tem apresentado um crescimento rápido.

- Ipê amarelo (Tabebuia alba)
Trata-se de uma espécie secundária tardia, heliófila, tolerando sombreamento moderado na sua fase juvenil, e caducifólia. Apresenta ocorrência em vários tipos de solos, principalmente em sítios baixos com solos úmidos e profundos com drenagem boa a regular e textura franca a argilosa.
O ipê amarelo é tolerante ao frio, porém sofre com geadas tardias. Esta espécie é indicada para plantios mistos combinadas com espécies pioneiras.


Podocarpus (Podocarpus lamberti)
O podocarpus é classificado com secundária tardia, heliófila na sua fase juvenil e perenifólia. Sua ocorrência é em solos com fertilidade química variável, normalmente pobres, bem drenados com textura arenosa e franca. É encontrada preferencialmente em Florestas Ombrófilas Mistas (Floresta de Araucária), formações aluviais (florestas de galeria), Florestas Ombrófila Densa Montana e Alto Montana, e também em campos ruprestes (altitude). Trata-se de uma espécie tolerante ao frio.
A recomendação para seu uso é em plantios mistos, sendo que apresenta melhor desenvolvimento em solos com nível de fertilidade química elevada. Em solos com baixa fertilidade química apresenta crescimento lento.

- Tarumã (Vitex megapotamica)
É uma espécie pioneira, heliófita e decídua, também indiferente às condições físicas do solo. O tarumã é encontrado em vários ambientes, de solos muito secos e pedregosos até muito úmidos nas matas de galeria, sendo indicado para plantios mistos em áreas de preservação permanente, principalmente em beira de rios e represas. É uma planta rústica e adaptada ao crescimento em áreas abertas.
Quando utilizada em plantios experimentais, tem apresentado crescimento moderado.


Instalação e tratamentos dos ensaios de campo
Os ensaios de campo serão instalados em duas condições de terreno: área úmida e área seca. Em cada uma delas serão instalados dois tratamentos, compostos por espécies árboreas selecionadas em função de características ecológicas como, por exemplo, posição na sucessão ecológica e adaptabilidade às condições de solo; e um terceiro tratamento onde a área será isolada e será monitorada a regeneração natural.

Na área seca, os tratamentos serão constituídos da seguinte maneira:
  • Tratamento 1: Aroeira, combinada com Cedro e Ipê Amarelo
  • Tratamento 2: Bracatinga, combinada com Cedro e Ipê Amarelo
  • Tratamento 3: Isolamento da área

Na área úmida, os tratamentos serão constituídos da seguinte maneira:
  • Tratamento 1: Guaçatunga, combinada com Branquilho e Podocarpus
  • Tratamento 2: Tarumã, combinada com Branquilho e Podocarpus
  • Tratamento 3: Isolamento da área