ANÁLISE DA QUALIDADE DA COLETA E DISPOSIÇÃO FINAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES DA CIDADE DE IVAIPORÃ - ESTADO DO PARANÁ

Jayme Ayres da Silva

Resumo

 

Com o objetivo de verificar a qualidade da coleta e disposição final dos resíduos sólidos domiciliares da cidade de Ivaiporã - Estado do Paraná, para auxiliar o poder público municipal a visualizar e a desenvolver um conjunto de ações alternativas que possa resultar em melhores condições para a coleta, disposição final dos resíduos domiciliares, bem como melhorias na qualidade de vida da população e conservação do meio ambiente, foram realizadas pesquisas bibliográficas e de campo. Por meio de análise dos indicadores verificou-se a população atendida pela coleta, regularidade, freqüência, geração per capita de lixo, componentes do lixo e análise da área de disposição final do lixo e impactos causados ao meio ambiente. O quadro urbano de Ivaiporã foi dividido em dois agrupamentos (zona central e periferia), onde residem 27.933 habitantes distribuídos em 7.171 domicílios.

 

Palavras-chave: qualidade, disposição final, coleta de lixo, geração per capita, saúde humana

 

Abstract

 

With the objective of determining the quality of collection and final disposal of solid waste produced by dwellings in the city of Ivaiporã, state of Paraná, in order to assist the municipal authorities in visualizing and developing a set of alternative actions that might result in better conditions for the collection and final disposal of waste produced by dwellings, as well as improvements in the quality of life for the population and for the preservation of the environment, both biblio-graphical and field research has been conducted. By means of analysis of indicators, the population served by collection was determined, as were the regularity, frequency, per capita generation of garbage, composition of the garbage and analysis of the area of final disposal of the garbage and impact caused on the environment. The urban span of Ivaiporã was divided in two groups (central and peripheral) where 27,933 inhabitants live, distributed among 7,171 dwellings.

 

Key words: quality, final disposition, collects of garbage, per capita generation, human health

 

 

Introdução

 

 

A Revolução Industrial possibilitou à humanidade colocar em prática alguns sonhos. Os materiais e equipamentos passaram a ser produzidos rapidamente, por meio de máquinas, de forma diferente dos processos artesanais. Graças ao desenvolvimento da tecnologia de produção e diversificação de materiais, intensificou-se o consumo e surgiram diversos tipos de lixo: domiciliares, industriais, hospitalares, públicos, etc.

A carência de saneamento ambiental, especialmente de disposição final adequada de lixo, repercute diretamente sobre a qualidade da água. A gestão de recursos hídricos está estreitamente relacionada com a gestão do saneamento, coleta e disposição final dos resíduos urbanos (RIBEIRO, M. 1998).

No Brasil, a média de produção diária de lixo per capita é de 600 gramas, mas essa média de produção tende a crescer nas grandes cidades e nas camadas mais ricas da população (RIBEIRO, M., 1998).

Este panorama gera, inevitavelmente, diversos malefícios do ponto de vista sanitário, dos quais os principais são a proliferação de agentes transmissores de doenças, tais como: moscas, ratos, mosquitos, baratas, formigas etc, e a produção, a partir do lixo, de fumaças e líquidos que poluem o ar, a água e o solo.

Neste sentido, assume notável importância, a proposta técnica de levantar a qualidade da coleta e disposição final dos resíduos sólidos domiciliares da cidade de Ivaiporã - Estado do Paraná.

 

 

Abordagens sobre lixo

 

Abordagem Antropológica e Urbanística

 

O aumento populacional, a industrialização e o crescimento econômi-co trouxeram consigo não apenas au-mentos na quantidade de lixo, mas tam-bém mudanças em suas características.

Atrelado a isto, vem o aumento da poluição do solo, das águas (subter-râneas e de superfície) e do ar, levando a um contínuo e acelerado processo de deterioração do meio ambiente, com uma série de implicações na qualidade de vida de seus habitantes e nos seus bens naturais. Uma parcela significativa desta deterioração resulta do trato ina-dequado do lixo gerado.

O grau de urbanização também está crescendo. Em meados do século XIX, apenas 1,7% da população mundial vivia nas cidades, percentual significativo. Porém, já em 1950, essa proporção era de 21% em 1980, 41,5%, SANTOS (1991).

As sociedades que pretendem melhorar a sua qualidade de vida devem voltar a atenção para a necessidade de reduzir a sua produção de lixo, destinando de forma ecologicamente correta as sobras restantes.

 

Abordagem técnica

 

Conceito de lixo (FERREIRA, 1986).

1) Aquilo que se varre da casa, do jardim, da rua e se joga fora; entulho.

2) Tudo o que não presta e se joga fora.

3) Sujidade, sujeira, imundície.

4) Coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor.

Conceito de resíduo (FERREIRA, 1986).

Aquilo que resta de qualquer substância; resto.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas, por meio da NBR - 10004, São Paulo, 1987, define lixo/resíduo, como: "restos das atividades humanas, consideradas pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis. Normalmente, apresenta-se sob estado sólido, semisólido ou semilíquido (com conteúdo líquido insuficiente para que este líquido possa fluir livremente)", ou ainda: "os resíduos podem ser classificados também de acordo com a sua natureza física (seco e molhado), sua composição química (matéria orgânica e matéria inorgânica) e pelos riscos potenciais ao meio ambiente (perigoso, não inerte e inerte)".

O lixo poderá ser classificado de acordo com a sua origem, isto é: lixo comercial, de varrição e feiras livres, serviços de saúde e hospitalares, portos, aeroportos e terminais ferro e rodoviários, industriais, agrícolas, entulhos, público e os resíduos sólidos domiciliares urbanos.

 

Abordagem sanitária e epidemiológica

 

A saúde é definida pela Orga-nização Mundial da Saúde (OMS) como o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas pela ausência de doença.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saneamento como o controle de todos os fatores físicos do homem, que exercem ou podem exercer efeito deletério sobre seu bem-estar físico, mental e social. Portanto, é evidente que pela sua própria definição o saneamento é indissociável do conceito de saúde.

A figura n.º 1 ilustra os principais macro e microvetores relacionados com o lixo e transmissores de doenças.

Figura 1 - Vetores relacionados com o lixo e transmissores de doenças (Barros, 1995)

- Ratos: podem transmitir doenças pela mordida, urina, fezes e pela pulga que vive em seu corpo, causando a peste bubônica, tifo murino e leptospirose.

- Moscas: transmitem doenças por via mecânica (por meio das asas, patas e corpo) e das fezes e saliva, causando febre tifóide, salmonelose, cólera, amebíase, disenteria e giardíase.

- Mosquitos: transmitem doenças pela picada da fêmea, causando malária, leishmaniose, febre amarela, dengue e filariose.

- Baratas: transmitem doenças por via mecânica (asas, patas e corpo) e também pelas fezes, causando febre tifóide, cólera e giardíase.

- Suínos: transmitem doenças pela ingestão de carne contaminada, causan-do cisticercose, toxoplasmose, triquine-lose e teníase.

- Aves: transmitem doenças pelas fezes e também podem fazer o transpor-te de bactérias e fungos colhidos no lixo, causando a toxoplasmose e criptococose.

O brasileiro convive com a maioria do lixo que produz. São 241.614 tone-ladas de lixo produzidas diariamente no País. Fica a céu aberto (lixão) 76% de todo esse lixo. Apenas 24% recebe trata-mento mais adequado. (IPT/CEMPRE, 1995).Os maiores problemas causados pela disposição inadequada do lixo estão ligados a diversos aspectos, como os sanitários, ambientais e operacionais (IPT/CEMPRE, 1995).

Os lixões são formas condenadas de disposição final de resíduos sólidos (Governo do Estado do Paraná - Secre-taria de Estado do Desenvolvimento Urbano, 1994).

O aterro sanitário, dentro das nor-mas legais, é uma alternativa aceitável para a disposição final de resíduos sóli-dos no solo, qual utiliza-se de técnicas da engenharia para confinar o lixo na menor área possível e utiliza metodolo-gia que preserva o meio ambiente e protege a saúde pública.

 

 

Abordagem legal

 

O direito do homem a um meio ambiente sadio é um direito indiscutível, reconhecido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimen-to, onde: "todos os seres humanos têm o direito fundamental a um ambiente adequado à sua saúde e bem-estar".

O artigo XXV da Declaração Universal dos Direitos do Homem reconhe-cida em 1946, prevê que "toda pessoa tem direito a um padrão de vida capazde assegurar a si e à sua família a saúde e o bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis". Para os países em desenvolvimento, os direitos humanos por excelência são os direitos econômicos e sociais que devem pairar acima dos demais: é o direito à vida no sentido mais amplo, que abrange os direitos indispensáveis a uma existência condigna.

 

 

Material e métodos

Identificação e Delimitação

do Problema

A delimitação da pesquisa está restrita, ao quadro urbano da cidade de Ivaiporã, a qual localiza-se na Região Central do Estado do Paraná, com 40.750 habitantes, sendo 12.817 habitantes residentes na zona rural, e 27.933 habitantes residentes na zona urbana, possuindo um total de 11.121 domicílios, distribuídos em 3.719 na zona rural e 7.402 domicílios no quadro urbano ocupados por 68,55% da população de todo o município, que também enfrenta problemas em relação aos resíduos sólidos domiciliares e sua disposição final da mesma forma que os demais municípios do Estado e do País.

 

Metodologia

 

1) Pesquisa bibliográfica: iniciada com uma revisão bibliográfica sobre as questões ambientais.

2) Pesquisa de campo: para a avaliação de desempenho da qualidade da coleta dos resíduos sólidos domiciliares urbanos, foram utilizados os indicadores: população atendida, regularidade, freqüência, geração per capita e compo-nentes do lixo (IPT/CEMPRE, 1995).

Para definir o índice de freqüência de coleta, utilizou-se os dias trabalhados no mês divididos pelos dias úteis do mês (considerando a média de 24 dias úteis/mês).

3) Identificação do peso dos resíduos sólidos domiciliares: realização de pesagens diárias da coleta de lixo, durante o período de 1 a 30 do mês de março de 2000, nas áreas da Zona Central e Periferia (Zona Norte, Zona Sul, Zona Leste e Zona Oeste).

4) Geração per capita de lixo: (kg/habitante/dia), obtida pelo processo de amostragem considerando as pesagens realizadas no mês de março de 2000 (peso do lixo coletado dividido pelo número de habitantes da área estudada).

5) Identificação da composição do lixo: foram realizadas no período de 1 a 10 de março de 2000, 10 (dez) amostragens de 100 kg cada, num total de 1.000 kg para a Zona Central e 1.000 kg para a Periferia, de onde foram retirados os tipos diferentes de componentes do lixo e pesados separadamente.

6) Análise da área de disposição do lixo: foram utilizados critérios técnicos, baseados no Manual de Gerenciamento Integrado: Lixo Municipal (IPT/Cempre, 1995), além de um laudo técnico sanitário expedido pelo Departamento Municipal de Vigilância Sanitária de Ivaiporã (maio, 2000).

 

Objetivos

 

1) Objetivos gerais:

Verificar a qualidade da coleta e disposição final dos resíduos sólidos domiciliares urbanos de Ivaiporã - Estado do Paraná, com o propósito de propor alternativas técnicas para a coleta e a disposição final dos resíduos sólidos, visando melhorias para a qualidade de vida da população.

2) Objetivos específicos:

- Identificação da qualidade da coleta dos resíduos sólidos domiciliares urbanos;

- Identificação da qualidade da freqüência e regularidade da coleta;

- Identificação das áreas com qualidades baixas de coleta dos resíduos;

- Identificação da geração per capita de lixo;

- Identificação da composição dos resíduos sólidos domiciliares (lixo);

- Análise da frota e guarnição utilizada na coleta;

- Análise da área de disposição final dos resíduos, bem como proposição de alternativas para amenizar os impactos causados na área de depósito;

- Identificação dos problemas causados pelos resíduos que implicam na saúde da população.

 

 

Diagnóstico da limpeza pública

 

"O serviço de limpeza das ruas, praças e logradouros públicos será executado direta ou indiretamente

pela Prefeitura, bem como o serviço

de coleta de lixo domiciliar" .

(artigo 5.º, Capítulo II - da higiene pública, Seção I, Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de

Ivaiporã, 2000).

A Prefeitura Municipal realiza os serviços de limpeza pública, desenvolvendo atividades de coletas separadamente de resíduos domiciliares urbanos, coleta de resíduos gerados pelos serviços de saúde, coleta de entulhos, coleta seletiva de lixo, varrição e a disposição final dos resíduos coletados.

A coleta, transporte e disposição final de resíduos sólidos domiciliares urbanos, resíduos hospitalares, entulhos, varrição, é realizada por uma equipe de 92 profissionais e servidores.

A coleta de resíduos sólidos domiciliares urbanos é realizada com três caminhões, sendo: um caminhão Dodge ano 1997, utilizado na coleta realizada na Zona Central; um caminhão Ford, ano 1997 e um caminhão Volkswagem, ano 1985 utilizado nas coletas realizadas na periferia.

Além dos três caminhões coletores, a Prefeitura dispõe de um caminhão de reserva, sem compactador para a realização da coleta quando houver problemas de ordem mecânica com um dos caminhões compactadores.

 

 

Resultados e discussão

 

O quadro urbano possui 7.402 domicílios, dos quais, 7.171 são habitados, distribuídos em 39 áreas, divididas em Zona Central, Zona Norte (Jardim Itaipu, Jardim Santa Luzia, Vila Ipiranga e Vila Santa Maria), Zona Sul (Conjunto Residencial Olímpio Mourão Filho, Jardim Paraná, Vila Planalto, Vila Formosa e Vila Santa Terezinha), Zona Leste (Vila São Pedro, Vila Operária, Alto da Glória, Vila Iporã, Conjunto João de Barro, Conjunto Waldomiro Guergoleto, Jardim Guanabara I e II, Colônia da Prefeitura, Conjunto Residencial de Furnas e Vila Nova Porã) e a Zona Oeste (Jardim Europa, Jardim Aeroporto, Jardim Luiz XV, Vila João XXIII, Jardim Brasília, Jardim Imperial, Jardim Ouro Preto, Jardim Sabará, Vila Fátima, Vila Monte Castelo, Vila São José, Jardim Alvorada, Parque Belo Horizonte, Vila Esperança, Vila Bom Jesus, Vila Bandeirantes e Vila São Jorge).

Os 7.171 domicílios habitados do quadro urbano são servidos pela coleta de resíduos sólidos domiciliares (lixo), atingindo um indicador de 100% de atendimento, onde residem 27.933 habitantes, atingindo também o indicador de 100% em relação ao número de habitantes atendidos pela coleta de resíduos sólidos (lixo).

A freqüência de coleta é diferenciada, na Zona Central, sendo realizada no período diurno nas áreas de pouco trânsito de veículos e pedestres e no período noturno nas áreas de maior fluxo de veículos e de pedestres, todos os dias da semana, exceto aos domingos. Na periferia a coleta é realizada no período diurno e noturno, em dias alternados, em duas etapas, sendo uma às segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras e a outra nas terças-feiras, quintas-feiras e sábados, não havendo coleta aos domingos.

Na zona central a freqüência decoleta atinge o indicador de 100%, sendo considerado o índice ideal do ponto de vista sanitário (IPT/CEMPRE, 1995), porém é a mais dispendiosa (PREFEITURA MUNICIPAL DE IVAIPORÃ, 2000). Nesta freqüência não há coleta nos domingos, o que provoca uma sobrecarga nas segundas-feiras, causada pelo acúmulo da produção de lixo de dois dias.

Na periferia (Zona Norte, Zona Sul, Zona Leste e Zona Oeste), a freqüência de coleta atinge um indicador de 50%, sendo considerado apropriado em relação à utilização mais eficiente da frota, transporte e da mão-de-obra (IPT/CEMPRE, 1995).

Os inconvenientes deste sistema são os problemas gerados pelo acúmulo da produção de lixo aos finais e inícios de semana, em função dos intervalos da coleta, ocorrendo acúmulos de até três dias, sendo que na Zona Norte, Zona Sul e Zona Leste onde a coleta é realizada às segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras, o acúmulo ocorre aos sábados, domingos e nas segundas-feiras até o momento da coleta e na Zona Oeste onde a coleta é realizada nas terças-feiras, quintas-feiras e sábados, o acúmulo ocorre aos domingos, segundas-feiras e terças-feiras até o momento da coleta.

Quanto aos horários da coleta de resíduos sólidos domiciliares, a Prefeitura adota o revezamento das equipes no período diurno e noturno, utilizando-se da mesma frota de utilitários.

Tanto a coleta diurna como a noturna, podem trazer aspectos favoráveis e/ou desfavoráveis, quais estão ligados a diversos fatores (IPT/CEMPRE, 1995).

A coleta diurna tem como aspecto favorável a segurança (assalto, ataque de cães e maior facilidade de socorro) e a visibilidade dos operários coletores e do motorista quanto ao manuseio do caminhão.

Quanto ao aspecto desfavorável, a coleta diurna é mais lenta, trazendo transtornos ao trânsito de veículos e de pedestres.

A coleta noturna causa menos interferência em áreas de circulação mais intensa de veículos e pedestres e permitemaior produtividade dos veículos de coleta pela maior velocidade média, em decorrência do tráfego em geral, significando uma diminuição da frota de veículos coletores, em decorrência do melhor aproveitamento dos veículos disponíveis.

Os aspectos desfavoráveis da coleta noturna estão ligados a menor visibilidade dos operários coletores e do motorista do caminhão; os ruídos produzidos em períodos noturnos pelo manuseio de recipientes e pela engrenagem do caminhão coletor; maiores riscos de acidentes (mecânicos, assaltos e cães) e aumento dos encargos sociais e trabalhistas incidentes na folha de salários do pessoal de coleta.

O método de coleta adotado é o direto, que envolve duas fases, sendo a primeira fase interna (sob a responsabilidade do gerador) e a segunda fase externa (sob a responsabilidade da Prefeitura) onde os resíduos sólidos domiciliares (lixo), devem ser acondicionados em frente aos domicílios, de preferência em lixeiras suspensas e em recipientes padronizados (sacos plásticos), para os coletores recolherem.

Do ponto de vista sanitário, econômico, de segurança e comodidade, o método direto é o ideal (IPT/CEMPRE, 1995).

A regularidade da coleta é mantida dentro do planejamento, ou seja, de segunda-feira a sábado na zona central e em dias alternados na periferia, não havendo coleta de resíduos sólidos domiciliares apenas aos domingos.

A Prefeitura Municipal dispõe de quatro caminhões utilizados para a coleta de resíduos sólidos domiciliares, que são antigos e diariamente sofrem problemas de ordem mecânica.

Com exceção do caminhão convencional utilizado como reserva, os demais apresentam carroceria com compactador, tendo a vantagem de melhor aproveitamento da capacidade do chassi, transportando até três vezes mais de volume de lixo por viagem do que os caminhões convencionais.

A baixa altura dos caminhões decarga dotados de compactador exige menor esforço dos coletores e, conseqüentemente, enseja maior velocidade de coleta, além de tornar mais fácil e rápida a descarga do material (IPT/CEMPRE, 1995).

O caminhão convencional, utilizado como reserva para a coleta está totalmente fora dos padrões, pois é necessária a participação de um operário para fazer a "arrumação" do lixo na carroceria, visando o melhor aproveitamento do espaço disponível. Outro problema que ocorre com freqüência diz respeito à dispersão pelos logradouros do lixo coletado, pois as tampas nem sempre são bem fechadas, resultando em constante derramamento de lixo durante o deslocamento do caminhão, além da liberação de microorganismos no ar, os quais podem gerar danos à saúde humana.

Quanto ao número da guarnição da coleta, para os caminhões compactadores, o ideal para cada caminhão é a utilização de um motorista e de dois a quatro coletores para a coleta do lixo nas duas laterais da via (IPT/CEMPRE, 1995).

A coleta é realizada com uma guarnição de 7 (sete) motoristas, sendo distribuídos em dois turnos para três caminhões, ficando um para reserva e 24 (vinte e quatro) operários coletores, também divididos em dois turnos, ou seja, 12 (doze) coletores para o período diurno e 12 (doze) coletores para o período noturno, cabendo para cada caminhão compactador 1 (um) motorista e 4 (quatro) operários coletores.

Quanto à utilização de mão-de-obra, o ideal é de um operário coletor para cada 1.000 (mil) habitantes atendidos (IPT/CEMPRE, 1995).

A distribuição da utilização da mão-de-obra para a coleta de resíduos sólidos domiciliares é de 24 (vinte e quatro) operários coletores para uma população de 27.933 habitantes, atingindo um índice de 01 (um) operário coletor para cada 1.163 habitantes atendidos.

A população de 27.933 habitantes, residentes no quadro urbano produz 442.010 kg/mês (março, 2000), tendouma produção diária de 14.733 kg/dia e uma geração de 0,527 kg/habitante/dia.

A média per capita de produção de resíduos sólidos domiciliares urbanos dos municípios brasileiros é de 0,600 kg/habitante/dia, com tendência a crescer nas grandes cidades e nas camadas mais ricas da população (RIBEIRO, M., 1998).

A população de 12.773 habitantes, residente na zona central produz 250.476 kg/mês de lixo, equivalendo a uma geração per capita de lixo de 0,653 kg/habitante/dia e a população da periferia, produz 191,534 kg/mês de lixo, equivalendo a uma geração per capita de 0,421 kg/habitante/dia.

O resultado mostra uma diferença na geração per capita de lixo entre os habitantes da zona central e da periferia, sendo um dos fatores o poder aquisitivo e de consumo da população, uma vez que os habitantes residentes na zona central têm uma renda familiar em média de 5 (cinco) salários mínimos mensais e os habitantes da periferia uma renda familiar de 3 (três) salários mínimos mensais.

Dos componentes encontrados nas amostragens dos resíduos sólidos (março, 2000), 42,90% é de material orgânico, 34,15% é de material reciclável, 19,45% é de material não identificado em função da compactação e 3,50% restante é composto de restos de tecidos, couros, madeiras, ossos e borrachas, conforme observa-se na figura n.º 2.

Figura 2 - Amostragem da composição do lixo centro e periferia (01/03/2002)

Nas amostragens da composição geral dos resíduos sólidos domiciliares urbanos, a produção de componentes coletada na zona central, em relação à periferia, apresentou maior peso em matéria orgânica, papel, papelão, material plástico, metal, lata, trapo, couro, vidro e borracha, apresentando menor produção apenas nos componentes não identificados e ossos.

Acompanhando a maior geração per capita de lixo produzida pelos habitantes da zona central, temos também uma maior produção em composição do lixo, ou seja, os habitantes da zona central apresentam um maior poder aquisitivo em relação aos habitantes da periferia.

 

Para cada tipo de componente encontrado nos resíduos sólidos é possível a realização de uma disposição voltada para atender aspectos técnicos, sociais e ambientais.

O material orgânico na compostagem sofre um processo biológico de decomposição da matéria orgânica contida em restos de origem animal ou vegetal, tem como resultado final um produto que pode ser aplicado ao solo para melhorar suas características, sem provocar riscos ao meio ambiente, gerando economia nas áreas de aterro, aproveitamento agrícola da matéria orgânica e reciclagem de nutrientes para o solo (IPT/CEMPRE, 1995).

Os resíduos sólidos domiciliares urbanos estão sendo depositados a céu aberto, desde 1960 na área localizada na Gleba Pindauva, Lote 42 C, a qual encontra-se totalmente saturada e inadequada para a disposição de resíduos, bem como para transformação da área em aterro sanitário ou controlado.

Os 442.010 kg/mês, produzidos na cidade estão sendo depositados sobre o terreno natural, sem qualquer cuidado ou técnica especial, trazendo sérios riscos ambientais e sanitários para a população.

Uma vez que um volume de lixo é disposto sobre o solo, a decomposição da parte orgânica será influenciada por variáveis ambientais, como: umidade, granulometria das partículas, pH, substâncias tóxicas presentes, concentração de nutrientes e oxigênio disponível (IPT/CEMPRE, 1995).

A parte inerte do lixo sofre menores transformações. O vidro permanece praticamente inalterado. Os plásticos podem passar décadas, às vezes séculos para sofrer alguma transformação microbiana. Os metais podem sofrer corrosão físico-química, podendo inclusive liberar metais pesados na forma iônica (IPT/CEMPRE, 1995).

Sejam quais forem as condições, o fenômeno causa interação com o meio ambiente, provocando poluição no ar, no solo e na água.

A atividade enzimática de degradação da matéria orgânica leva à formação de um líquido escuro conhecido como chorume. Este líquido tem alta carga orgânica poluente e pode percolar no solo arrastando consigo nitratos, fosfatos, metais pesados e microorganismos.

A carga orgânica do chorume é avaliada através da DBO (demanda bioquímica de oxigênio), uma técnica analítica que avalia a quantidade de oxigênio necessária para que os microorganismos degradem a matéria presente na mistura. A DBO do chorume varia de acordo com a diluição, dependendo, portanto do índice de precipitação pluviométrica. De modo geral sua DBO pode variar de 1.000 a 30.000 mg/l, o que significa, a título comparativo, que o chorume pode ter uma carga poluidora orgânica até 100 vezes maior do que as águas de esgotos (HAMADA, 1991).

Quando o chorume contamina o lençol freático, as águas dele provenientes (poços freáticos ou artesianos) ficam impróprias para o consumo.

Na área de depósito do lixo, existem dois córregos (Gayano e Pindauva), os quais recebem diretamente o chorume por escoamento superficial, vindo a poluir a água, também estão assoreados pelo lixo que vem sendo carregado por águas pluviais.

O solo da área do lixão recebe ainda a poluição de componentes tóxicos, como pilhas, pesticidas, solventes, ácidos e outros produtos tóxicos que são adicionados nos resíduos sólidos domiciliares e destinados ao lixão.

O ar encontra-se contaminado pelo mau cheiro provocado pela emanação dos gases provenientes da biodegradação da matéria orgânica, além da fumaça resultante da combustão provocada ou espontânea. A combustão espontânea ocorre devido ao metano, gás inflamável resultante da degradação anaeróbia da matéria orgânica. A combustão também é provocada pelos catadores.

Em ambos os casos, a combustão de um material tão heterogêneo produz densa e irritante fumaça ocre, muito desagradável para a vizinhança, e pior, esta fumaça normalmente contém moléculas orgânicas tóxicas como a dioxina, um agente cancerígeno (LEITE, L., 1973).

Pelo fato de a área do lixão estar repleta de material de alto conteúdo energético, serve de alimento e nicho ecológico a inúmeros organismos vivos, principalmente ratos, moscas, baratas e urubus, que se proliferam e deslocam para outras áreas, vindo a abrigar-se em casas, onde tornam-se potenciais transmissores de doenças (ROCHA, 1980).

Dos insetos que são encontrados no lixão, as moscas, principalmente a mosca doméstica, são os mais constantes, os quais podem pôr de 120 a 150 ovos por dia, totalizando de 500 a 600 ovos durante o seu ciclo de vida. A fêmea procura colocar seus ovos em um meio rico em substâncias orgânicas. A incubação dos ovos dura de 8 horas a 4 dias, podendo-se tomar 24 horas como o período médio.

A vida média do adulto varia de 5 a 8 dias, podendo se deslocar 10 km em 24 horas, ou mais, dependendo do vento, podendo desta forma, transportar bactérias e outros microorganismos do lixão até as residências do quadro urbano.

As principais doenças transmitidas pelas moscas são as provocados pelas bactérias intestinais (Escherichia colli), (Salmonella typhy) e a (Salmonella enteritidis), por protozoários (Entamoeba histolytica), (Entamoeba coli) e a (Giardia langlia) e também por vermes (ROCHA, 1980).

As várias espécies de baratas se deslocam por terra e ar, podendo contaminar alimentos, sendo consideradas vetores diretos de diversas bactérias intestinais e vírus da poliomielite, além de indiretamente serem vetores da cólera, tifo, amebíase e giardíase (ROCHA, 1980).

A área do lixão não tem nenhum tipo de controle, ficando aberto para descargas desconhecidas e também para acesso da população carente. Há registro da presença de pessoas e animais domésticos, que invadem a área do lixão, em busca de alimentos e outros produtos, sem a autorização ou controle da Prefeitura, correndo riscos de contaminação através de agentes químicos e biológicos agressivos.

 

 

Conclusão

 

De acordo com os dados pesquisados, a coleta domiciliar atinge um indicador de 100% em relação ao número de habitantes atendidos pela coleta de resíduos sólidos (lixo), sendo a freqüência de coleta diferenciada na zona central com indicador de 100% e na periferia com indicador de 50%.

Quanto aos horários da coleta é adotado o revezamento das equipes no período diurno e noturno, utilizando-se da mesma frota de utilitários, tendo como método de coleta o direto, sendo considerado ideal do ponto de vista sanitário, econômico, de segurança e comodidade e a regularidade da coleta é mantida dentro do planejamento.

O caminhão convencional, utilizado como reserva para a coleta está totalmente fora dos padrões.

Quanto à utilização de mão-de-obra, o ideal é de um operário coletor para cada 1.000 (mil) habitantes atendidos, sendo a distribuição da utilização da mão-de-obra para a coleta é de 24 (vinte e quatro) operários coletores para uma população de 27.933 habitantes, atingindo um índice de 1 (um) operário coletor para cada 1.163 habitantes atendidos.

A população de 27.933 habitantes, residentes no quadro urbano, produz 442.010 kg/mês (março, 2000), tendo uma produção diária de 14.733 kg/dia e uma geração per capita de 0,527 kg/habitante/dia sendo que a média per capita de produção de resíduos sólidos domiciliares urbanos dos municípios brasileiros é de 0,600 kg/habitante/dia, com tendência a crescer nas grandes cidades e nas camadas mais ricas da população.

Para cada tipo de componente encontrado nos resíduos sólidos, é possível a realização de uma disposição voltada para atender aspectos técnicos, sociais e ambientais.

Na área de depósito do lixo, existem dois córregos (Gayano e Pindaúva), os quais recebem diretamente o chorume por escoamento superficial, vindo a poluir a água, bem como estão assoreados pelo lixo que vem sendo carregado por águas pluviais.

A área do lixão não tem nenhum tipo de controle, ficando aberta para descargas desconhecidas e também para acesso da população carente, correndo riscos de contaminação por agentes químicos e biológicos agressivos.

Desta forma, se faz necessário a urgente interdição do lixão por parte da Prefeitura e a aquisição de uma área que venha atender todos os critérios técnicos de disposição final de resíduos, para evitar as agressões contra o meio ambiente e à saúde humana.

 

Referências

 

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Agradecimentos

 

UFSC - Universidade Federal

de Santa Catarina - Florianópolis SC.

Univale - União das Escolas Superiores do Vale do Ivaí - Ivaiporã PR

UNIPAR - Universidade

Paranaense - Umuarama PR

Prefeitura Municipal de Ivaiporã - PR

 

 

Autor

 

Jayme Ayres da Silva,

biólogo, especialista em Ecologia;

em Meio Ambiente; em Metodologia Científica e em Ensino de Ciências Biológicas, mestre em engenharia de produção e gestão ambiental, professor na União das Escolas Superiores do Vale do Ivaí - Ivaiporã-PR, técnico do Instituto Ambiental do Paraná.