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Sanepar já plantou 250 mil árvores nativas no entorno do Reservatório Miringuava

O IAT exige que a compensação ambiental seja maior do que a supressão vegetal e a Sanepar está propondo cerca de 950 hectares de compensação, mais do que o dobro do que a área ocupada pelo reservatório do Miringuava

26/05/2026 -
São José dos Pinhais

Desde o início da construção do Reservatório Miringuava, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) atua com estratégias de recuperação ambiental na área. Além do resgate da flora e da fauna locais, é feito o plantio de mudas para restaurar as áreas. Até o momento, 250 mil mudas de 35 espécies diferentes já foram plantadas em 112 hectares.

Segundo o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, o Miringuava é uma reserva essencial para garantir a segurança hídrica da população e para enfrentar cenários de escassez hídrica, cada vez mais iminentes diante das mudanças climáticas. “O impacto ambiental de uma obra dessa magnitude é inevitável. Entretanto, planejamos e executamos ações que visam mitigar os impactos e promover benefícios ambientais, concomitantes à garantia do abastecimento público”, observa.

INOVAÇÃO - A área total da barragem do Miringuava é de 430 hectares, sendo que 350 hectares eram vegetação nativa. O diretor de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Fernando Guedes, lembra que a desocupação da área verde foi autorizada em 2024 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a licença emitida pelo Instituto Água e Terra (IAT).

“A recuperação ambiental com plantios de mudas teve início antes mesmo do enchimento do reservatório, o que é considerado inovador no contexto do saneamento, possibilitando a restauração do entorno, acelerando os processos ecológicos e beneficiando o próprio reservatório”, destaca Guedes.

As margens da barragem e as áreas em recuperação farão parte de um corredor de biodiversidade de 8 milhões de metros quadrados que será conectado ao Parque Nacional Guaricana, área 62% superior à utilizada para a reservação de água. “O objetivo é criar um maciço florestal no entorno do reservatório que será direcionado para fazer essa conexão com o parque. O IAT exige que a compensação ambiental seja maior do que a supressão vegetal e a Sanepar está propondo 950 hectares de compensação, mais do que o dobro do que a área ocupada pelo Miringuava”, afirma o engenheiro florestal da Sanepar, Aurélio Lourenço Rodrigues

RECUPERAÇÃO – De acordo com Rodrigues, as áreas que já foram recuperadas eram ocupadas por usos diversos, como pastagens e agricultura. Cerca de 35 espécies diferentes foram plantadas, incluindo as de rápido crescimento inicial, como a aroeira e a bracatinga, e outras típicas da floresta da região, como araçá, pitangueira, açoita-cavalo, cedro e araucária.

São necessárias várias etapas no processo de recuperação, que incluem o preparo, a adubação e a correção do solo. Após a abertura das covas, é feita uma adubação específica para as mudas que serão plantadas. São utilizadas mudas produzidas pela própria Sanepar e também por parceiros, como o IAT, a ONG Sociedade Chauá e a Itaipu Binacional.

Após o plantio, o trabalho foca na manutenção das mudas, com práticas como o coroamento, que consiste na limpeza ao redor do tronco da planta para evitar competição com vegetação indesejada. Também é realizado controle de pragas e aplicação de nutrientes que favorecem o crescimento das plantas ao longo do tempo.

PROTEÇÃO DA ÁGUA – A ocupação das margens da represa por floresta aumenta a disponibilidade hídrica, a qualidade da água e a vida útil do reservatório ao melhorar a infiltração da água no solo e evitar a erosão. “Se o sedimento vai para o corpo hídrico, ocorre o assoreamento, diminuindo o volume útil do reservatório, e pode ocorrer o enriquecimento de nutrientes que não são bem-vindos na água”, esclarece o engenheiro florestal da área de Pesquisa da Sanepar, Maurício Bergamini Scheer.

Ele ressalta ainda que a recuperação com o plantio de mudas ajuda a natureza a prestar seus serviços ecossistêmicos e contribui para o estoque de carbono, importante para retirar o gás carbônico do ar, principal causador do efeito estufa.

EXEMPLO - Scheer é responsável por 25 hectares de sítios experimentais no entorno do Reservatório Piraquara II que fazem parte do projeto Tecnologias de Recuperação de Áreas Degradadas, junto com o Viveiro de Tecnologias de Produção de Mudas da Sanepar. “Estabelecemos vários tratamentos para que as demais áreas da Companhia pudessem usar as experiências adquiridas no processo de restauração ambiental e sucessão ecológica de acordo com os diversos graus e níveis de degradação do solo”, esclarece.

As técnicas aplicadas visam melhorar a condição de sombreamento, fixação de carbono, umidade do terreno e a recuperação de nutrientes do solo. As plantas crescem e depositam folhas que reproduzem a matéria orgânica do solo perdido, alimentando o ciclo natural que vai devolver a biodiversidade da área. “Damos um empurrãozinho para a natureza fazer o seu papel”, pontua Scheer.

Uma das estratégias aplicadas com bons resultados na sucessão ecológica é o plantio de linhas de bracatinga, que tem rápido crescimento, fixa o nitrogênio atmosférico e ajuda a mudar o microclima e as condições do solo. Nas entrelinhas é feito o plantio de espécies diversas com crescimento mais lento e que precisam de mais sombra e umidade para crescer. “A bracatinga tem uma vida curta, então com 14 ou 15 anos vai sair naturalmente do sistema, dando espaço para as outras espécies plantadas e muitas outras que a própria natureza traz”, conta o pesquisador.

O conhecimento obtido a partir dessas pesquisas e o sucesso dos sítios experimentais são aplicados na recuperação de áreas pela Sanepar, como as do reservatório Miringuava. Os estudos ainda ultrapassam as fronteiras da Companhia e contribuem para a ciência em publicações científicas internacionais sobre restauração ecológica e ao fazer parte de planos de trabalho com estudantes, professores e pesquisadores de universidades.

MIRINGUAVA - O reservatório Miringuava está em processo de enchimento e vai ampliar a disponibilidade de água em 25% do Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba (SAIC), formado pelos reservatórios Iraí, Passaúna, Piraquara I e Piraquara II. Sua capacidade de reservação de 38,2 bilhões de litros atenderá 650 mil pessoas diretamente e fortalecerá o sistema de abastecimento de 3,5 milhões de habitantes da região metropolitana. Com a água reservada, a ETA Miringuava dobrará a sua capacidade de tratamento, passando de 1.000 para 2.000 litros de água por segundo. 

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Plantio de mudas no Miringuava Plantio de mudas no Miringuava Plantio de mudas no Miringuava
Plantio de mudas no Miringuava Plantio de mudas no Miringuava Plantio de mudas no Miringuava
Plantio de mudas no Miringuava Plantio de mudas no Miringuava Engenheiro florestal da Sanepar, Aurélio Lourenço Rodrigues
Viveiro de Mudas Piraquara II Viveiro de Mudas Piraquara II Engenheiro florestal da área de Pesquisa da Sanepar, Maurício Bergamini Scheer
 Viveiro de mudas no Piraquara II   Viveiro de mudas no Piraquara II  Viveiro de mudas no Piraquara II
Viveiro de Mudas Piraquara II Viveiro de Mudas Piraquara II Viveiro de mudas no Piraquara II
Viveiro de Mudas Piraquara II Viveiro de Mudas Piraquara II Viveiro de mudas no Piraquara II
Viveiro de Mudas Piraquara II Viveiro de Mudas Piraquara II Viveiro de mudas no Piraquara II
Plantio de mudas no Miringuava Plantio de mudas no Miringuava Plantio de mudas no Miringuava