Loading spinner

Sanepar extrai água subterrânea em temperaturas que podem ultrapassar 50º C

Segunda matéria da série Do Rio ao Rio, mostra o trabalho da Sanepar na perfuração de poços e captação de água subterrânea. No Paraná, 178 municípios dependem 100% desse recurso subterrâneo

11/08/2026

A segurança hídrica no Paraná é garantida, além de rios e represas, por aquíferos subterrâneos, como o Guarani e o Serra Geral. Para extrair a água do subsolo, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) perfura poços que podem ultrapassar 1 quilômetro de profundidade. O desafio da empresa é vencer as características do terreno e a temperatura da água no subsolo.   

Quanto maior a profundidade, maior é a temperatura da água. Atualmente, a Sanepar opera poços com temperaturas que variam entre 45º C e 50º C e estão localizados nos municípios de Londrina, Jardim Alegre, Califórnia e Santa Mariana. O recorde térmico já registrado pela empresa foi de 59°C.   

Para tratar e distribuir a água, a Sanepar utiliza um sistema de resfriamento para mantê-la abaixo de 25°C. Este processo garante a potabilidade após o tratamento, em cumprimento às exigências do Ministério da Saúde. O cloro evapora rapidamente com o calor, além de a alta temperatura acelerar a proliferação de bactérias.

A água quente também pode causar alterações sensoriais. Segundo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), a água deve ser preferencialmente fria o suficiente para ser agradável ao paladar e evitar a rejeição do consumidor.

Outro motivo para o resfriamento é o limite térmico de tubulações e equipamentos. Altas temperaturas podem causar deformações e vazamentos na rede, danos a componentes do sistema e prejuízos a tubulações, eletrodomésticos e equipamentos residenciais.

RESERVA ESTRATÉGICA - No total, a Sanepar opera 1.221 poços que atendem 630 localidades. Desse montante, 178 municípios dependem 100% desse recurso subterrâneo, especialmente cidades das regiões Noroeste, Norte e Oeste do Paraná. Com as mudanças climáticas e períodos de estiagem mais frequentes, essa reserva também é essencial quando a disponibilidade de água nos rios e represas diminui.

PEDRA DURA - A abertura de um poço exige mais do que furar o chão. Cada poço é uma obra precisa de engenharia e de estudos geológicos, com análises da área a ser perfurada que incluem imagens via satélite e outras tecnologias. A qualidade do lençol freático, a vazão e o risco de contaminação por águas superficiais são alguns dos fatores levados em consideração para escolher o local ideal.

A tecnologia para perfuração varia conforme o solo. O sistema rotativo é indicado para rochas sedimentares, enquanto o roto-pneumático destrói rochas extremamente duras, como o basalto paranaense. Após a perfuração, testes de bombeamento e análises laboratoriais definem a vazão real e os processos de tratamento necessários. Por suas características naturais, o tratamento da água subterrânea costuma ser mais simplificado do que o da água de rios, como desinfecção e fluoretação, por exemplo.

SEGURANÇA - Embora protegidas por camadas de rocha e terra, as águas subterrâneas correm riscos. O crescimento urbano sem planejamento, o descarte inadequado de efluentes e a abertura de poços clandestinos representam ameaças reais de contaminação e de esgotamento do lençol.

Para conter esses problemas e garantir água de qualidade na quantidade necessária, a operação dos poços tem monitoramento contínuo. Além de avaliar a qualidade por meio de análises laboratoriais, a vazão e o nível da água são observados em tempo real com sistemas de telemetria. Esse é um trabalho essencial para prevenir desabastecimentos e programar manutenções.

SÉRIE – A série de reportagens Do Rio ao Rio tem objetivo de apresentar todos os processos desenvolvidos pela Sanepar desde a captação da água, a distribuição, a coleta do esgoto até o retorno do efluente já tratado para a natureza. A primeira matéria da série mostra a importância da preservação dos mananciais e o processo de captação de água na superfície. 

Galeria de fotos

Conjunto de grandes motores elétricos azuis acoplados a tubulações e registros em área operacional. Ao fundo, estrutura de concreto com cortina de água em cascata. Conjunto de grandes motores elétricos azuis acoplados a tubulações e registros em área operacional. Ao fundo, estrutura de concreto com cortina de água em cascata. Poço com resfriamento em Londrina
Água jorrando e espirrando com intensidade dentro de estrutura de concreto com grade de proteção durante etapa de aeração. Água jorrando e espirrando com intensidade dentro de estrutura de concreto com grade de proteção durante etapa de aeração. Poços profundos podem ter água com temperaturas médias entre 45° C e 50° C
Canteiro de obras para perfuração de poço, com tubos metálicos de perfuração empilhados em primeiro plano e uma grande torre perfuratriz azul ao fundo sob céu nublado. Canteiro de obras para perfuração de poço, com tubos metálicos de perfuração empilhados em primeiro plano e uma grande torre perfuratriz azul ao fundo sob céu nublado. Poços da Sanepar atendem 630 localidades
Detalhe de equipamento pesado de perfuração introduzindo tubo de aço no solo, com operador de capacete amarelo acompanhando o processo ao fundo. Detalhe de equipamento pesado de perfuração introduzindo tubo de aço no solo, com operador de capacete amarelo acompanhando o processo ao fundo. Perfuração de poço no litoral
Tubulação despejando fluido cinzento de perfuração em um tanque de contenção de metal, com trabalhadores da equipe técnica operando ao redor. Tubulação despejando fluido cinzento de perfuração em um tanque de contenção de metal, com trabalhadores da equipe técnica operando ao redor. Sanepar opera 1.221 poços em todo o Paraná
Água jorrando com abundância de uma tubulação metálica para dentro de um tanque de concreto. Ao fundo, dois trabalhadores com capacetes operam equipamentos de perfuração em um canteiro de obras. Água jorrando com abundância de uma tubulação metálica para dentro de um tanque de concreto. Ao fundo, dois trabalhadores com capacetes operam equipamentos de perfuração em um canteiro de obras. Teste de bombeamento em poço do litoral
Técnico com capacete branco e capa de chuva amarela observa atentamente o visor de um medidor de vazão digital acoplado a uma tubulação verde. Técnico com capacete branco e capa de chuva amarela observa atentamente o visor de um medidor de vazão digital acoplado a uma tubulação verde. Técnico acompanha a vazão do teste de bombeamento.