Sanepar faz água captada no Rio Tibagi subir 374 metros até Rolândia
Com uso de tecnologia de ponta e bombas de alta eficiência energética, a Companhia transporta água por 45 km de adutoras. Abastecimento de forma integrada garante segurança hídrica e flexibilidade na operação da Sanepar
Garantir água tratada de qualidade na torneira dos paranaenses exige da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) mais do que captar e tratar: exige vencer a própria geografia do estado. Para que a água captada no Rio Tibagi, na zona Leste de Londrina, chegue em Rolândia, a Sanepar realiza uma verdadeira operação de engenharia: ela viaja por 45 quilômetros e é impulsionada para transpor uma altura de 374 metros — o equivalente a levar um volume colossal de água até o topo de um edifício de 125 andares.
Historicamente, Rolândia sempre foi abastecida pelos ribeirões Ema e Jaú, com a contribuição de alguns poços. No entanto, o contexto de estiagem e a consequente queda na disponibilidade hídrica, fizeram com que a Sanepar acelerasse a inclusão do município no sistema Tibagi. Hoje, 20% da água consumida na cidade vem deste sistema integrado.
INTEGRAÇÃO - Para que a água do Rio Tibagi pudesse atender Londrina, Cambé e Rolândia de forma simultânea, foi necessário iniciar, com anos de antecedência, a ampliação de toda a infraestrutura do sistema, desde a captação, elevatórias, reservatórios, tubulações e a estação de tratamento.
Em 2025, foi implantada uma segunda linha de adutora, ligando a unidade de bombeamento da Rua Sergipe à região Oeste de Londrina. Essa obra liberou a primeira linha para transportar um volume maior de água até o Centro de Reservação Esperança, em Cambé. A partir desse ponto, foi instalada a nova adutora de 12,5 quilômetros que, em 2026, integrou Rolândia ao sistema.
Estrategicamente, por sua posição geográfica, Rolândia fará a junção entre o atual sistema Tibagi e o novo Sistema de Abastecimento Integrado do Norte do Paraná (SAINP). O projeto, cuja licitação segue aberta até 18 de setembro, quando terá as propostas dos concorrentes conhecidas em evento na Bolsa do Brasil, a B3.
Quando o SAINP estiver concluído, Rolândia passará a receber também a água das duas novas captações, no Ribeirão Apertados e no Rio Taquara. Com infraestrutura que inclui nova estação de tratamento e reservatórios, o SAINP vai integrar, ainda, as cidades de Arapongas e Apucarana.
GESTÃO POR BACIA HIDROGRÁFICA - Toda essa complexa infraestrutura atende a um desafio geográfico do Paraná: grande parte de suas cidades foi fundada sobre "espigões", isto é, os pontos mais altos do relevo, que separam os vales por onde correm os rios. Essa característica topográfica sempre exigiu soluções desafiadoras para o saneamento.
Hoje, considerando essa topografia e as mudanças climáticas, a Sanepar projeta suas obras de forma integrada, visando garantir água em quantidade e qualidade para o futuro. O abastecimento é gerido, desde a sua concepção, a partir das bacias hidrográficas, unindo municípios para fortalecer a saúde e a qualidade de vida da região.
ENERGIA - Vencer a topografia para garantir água nas torneiras também tem um alto custo energético. Para superar os 374 metros de desnível, passar pelo processo de tratamento e encher as dezenas de reservatórios, a água do Rio Tibagi precisa ser impulsionada por motores de alta potência, cuja demanda representa o segundo maior consumo de energia da área operacional da Sanepar no estado, atrás apenas do sistema que abastece a capital.
Somente na fase de produção de água tratada, a demanda energética do Sistema Tibagi ultrapassa a marca de 6,2 milhões de quilowatts-hora (kWh) por mês. Para se ter ideia da dimensão desse número, basta olhar para o consumo médio de uma residência, em torno de 150 kWh mensais.
Isso significa que a energia elétrica gasta no sistema seria suficiente para abastecer mais de 40 mil imóveis. Ou seja, a eletricidade consumida para produzir e transportar a água entre Londrina, Cambé e Rolândia, daria para iluminar um município de médio porte do Paraná, suprindo o consumo de casas, comércios e até a iluminação pública de ruas e avenidas.