Sanepar celebra o Dia Mundial das Abelhas com o projeto Jardins de Água e Mel
Muito além de produzir mel, as abelhas nativas sem ferrão são verdadeiras guardiãs da água. Por meio de projeto educativo em 32 municípios, a Sanepar mostra como a preservação desses insetos ajuda a manter nossas florestas vivas e nossos rios protegidos
Celebrado em todo o mundo no dia 20 de maio, o Dia Mundial das Abelhas foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para lembrar da importância desses pequenos seres para a vida no planeta. No Paraná, a relevância das abelhas vem ganhando destaque desde 2019, por meio do projeto Jardins de Água e Mel, desenvolvido pela Sanepar em 31 municípios do estado e em Porto União (SC).
O trabalho educativo é voltado principalmente a estudantes da rede pública de ensino e mostra, na prática, que cuidar das abelhas nativas é, também, uma forma de cuidar da água que chega até as torneiras.
Muitas vezes lembradas apenas pela produção de mel, o trabalho das abelhas na natureza vai muito além da contribuição alimentar. De acordo com dados da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), as abelhas nativas sem ferrão como a Jataí, a Mandaçaia e a Manduri, são responsáveis por polinizar até 90% das árvores das nossas florestas nativas. Isso significa que são elas que ajudam as florestas nativas a nascerem, crescerem e se renovarem.
Esse trabalho é fundamental também para a composição das matas ciliares - aquelas florestas que ficam às margens dos rios —, e com isso as abelhas garantem a saúde e a regeneração das barreiras verdes naturais.
“As matas protegem as margens dos rios contra a erosão, evitam o assoreamento e filtram a água da chuva que abastece os lençóis freáticos e os rios onde a Sanepar capta a água para abastecer as cidades, contribuindo para a segurança hídrica dos mananciais de abastecimento”, explica a bióloga e gestora de educação socioambiental da Sanepar, Luciana Garcia.
JARDINS DE ÁGUA E MEL - Além das colmeias de abelhas sem ferrão de espécies nativas, as estruturas instaladas pela Sanepar são compostas por deck, bancos e uma diversidade de flores e outras plantas, tornando os Jardins de Água e Mel verdadeiras salas de aula ao ar livre. Como as abelhas não têm ferrão, não oferecem nenhum risco à segurança da comunidade.
Na prática, os resultados transformam a rotina escolar e extrapolam os muros das instituições. Em Imbituva por exemplo, o projeto foi implantado na Escola Municipal Professor Jacob Brenner de Barros no final de 2024 e logo se tornou um espaço dinâmico de aprendizagem, engajando alunos em atividades de campo, cuidados diários com as colmeias, desde a limpeza, alimentação e monitoramento.
No Jardim de Água e Mel também ocorrem aulas expositivas, apresentação do projeto e visitação para as famílias, buscando a conscientização sobre a necessidade do cuidado com o ambiente e a importância das abelhas sem ferrão. A iniciativa também motiva visitas pedagógicas na Floresta Nacional de Irati (Flona) e ao meliponário MTH, em Prudentópolis, além de impulsionar a ampliação do próprio jardim da escola em quantidade e espécies de flores.
Para a professora Gilvane Ribeiro, é gratificante perceber a participação da comunidade no entorno desse espaço de educação socioambiental e bem-estar,já que permite integrar atividades sensoriais e produção de conhecimentos.
"Nossa maior satisfação é perceber o envolvimento e o interesse de todos os alunos das diferentes turmas, que não estão diretamente ligados às ações do projeto. Fazem perguntas, ajudam a cuidar, trazem relatos de suas vivências enquanto multiplicadores de ideias. Da mesma forma, pais da comunidade escolar compartilham conosco suas experiências com a criação de pequenas colmeias em suas casas, trazem dicas e sugestões para agregar conhecimentos", relata a professora.
Ela destaca ainda o impacto em visitantes sem vínculo com a instituição. "Eles se encantam, tiram fotos, fazem perguntas e nos parabenizam por proporcionar aos alunos conhecimentos além das paredes da sala de aula e mostrar na prática estratégias de cuidado com o meio ambiente, principalmente a flora, a possibilidade de mudança na produtividade da cadeia alimentar ao entorno da escola através da polinização, e ainda tornar o espaço externo da escola agradável, colorido e contemplativo", conta.
O Jardim de Água e Mel recém-implantado na Escola Municipal Pedro Antônio Molinari, em Inácio Martins, se soma à oficina de sustentabilidade do ensino integral desenvolvido na Escola, que apoia e incentiva ações que promovem a educação ambiental e o desenvolvimento integral dos estudantes.
De acordo com a diretora Rosangela do Rocio Zanardine Matulle e a coordenadora pedagógica Adriele Aparecida Nunes, o projeto vem contribuindo de forma significativa para a formação dos alunos, conduzido pela professora Marinha Wrobleski.
“Por meio de práticas pedagógicas dinâmicas e participativas, o projeto em parceria com a Sanepar proporciona aos estudantes vivências concretas sobre a importância da preservação ambiental, do uso consciente da água e da valorização das abelhas para o equilíbrio do ecossistema”, reforça a diretora.
“Durante as atividades, os alunos participam ativamente do cuidado com o jardim, desenvolvendo responsabilidade, autonomia e consciência ecológica. O projeto também fortalece valores como cooperação, respeito à natureza e cuidado com o espaço coletivo”, completa.
IMPACTO - O impacto do projeto se traduz em números que crescem a cada ano. Os Jardins de Água e Mel fazem parte do trabalho social que a Sanepar realiza sempre que faz obras para ampliar a rede de esgoto nas cidades. Desde o início da implantação do projeto em 2019, foram instalados 119 jardins e 614 colônias de abelhas sem ferrão, envolvendo em torno de 90 mil alunos.