Recuperação de nascentes melhora qualidade da água em Ivaiporã
Os principais parceiros são os proprietários das áreas rurais que recebem orientação técnica do Departamento e são até remunerados pelo trabalho de preservação. As 117 nascentes ficam em 80 propriedades. Em dezembro, os agricultores receberam em média R$ 1,2 mil cada um. Os recursos vêm do Fundo Municipal do Meio Ambiente, que recebe mensalmente 2% do faturamento da Sanepar na cidade. O pagamento aos produtores é feito uma vez por ano e é uma compensação pelas atividades desenvolvidas. “O valor varia de acordo com o cumprimento de uma planilha de requisitos do projeto”, explica o secretário municipal de Meio Ambiente, Jayme Ayres.
De acordo com o projeto, assim que é identificada a nascente, o proprietário faz a recuperação do local, elimina fatores de sujeira e degradação, faz o cercamento para impedir o acesso de animais domésticos e precisa, também, fazer o plantio de mata ciliar. “Agora, vamos entrar na fase da conscientização ambiental, em que os estudantes vão poder visitar as áreas recuperadas”, afirma Ayres.
Nesta semana, o secretário acompanhou o gerente geral da Sanepar na Região Nordeste, Sérgio Bahls, a uma visita a algumas propriedades onde já é feito o trabalho de recuperação. “É um projeto exemplar, que mostra que é possível preservar o meio ambiente. Nosso futuro pode ser melhor com mais recursos hídricos. A grande prova é Ivaiporã, que tem um modelo que pode ser seguido por todo o Brasil”, disse.
Água mais limpa– Como diz o nome do projeto, a preservação das nascentes tem garantido que a água utilizada para abastecimento público chegue mais limpa à estação de tratamento da cidade. Isso representa uma economia no uso de produtos químicos no processo de tratamento. Para se ter uma ideia, em 2015, a estação de tratamento de água de Ivaiporã utilizou, durante todo o ano, 43,7 mil litros do coagulante Policloreto de Alumínio (PAC). Em 2016, foram 37,8 mil litros, uma redução de 13,48%, embora a produção de água tenha aumentado. A quantidade do PAC está diretamente relacionada à qualidade da água in natura (do rio) que chega à estação de tratamento. “Isso se deve, sem dúvida, ao projeto Cultivando Água Limpa”, afirma o gerente da Sanepar em Ivaiporã, Gilberto Taborda.
Além de economizar em produtos químicos, a Sanepar não precisou mais paralisar a produção de água por causa da turbidez em dias de chuva, devido à melhoria da qualidade do rio. “Antes, qualquer chuvinha já arrastava uma grande quantidade de terra para o rio e elevava o índice de turbidez. Na estação, a água chegava tão enlameada que não dava para tratar”, diz o gerente da Sanepar em Apucarana, Luiz Carlos Jacovassi, que gerenciava a unidade de Ivaiporã quando foi implantado o projeto.
A Sanepar produz hoje, diariamente, 7 milhões de litros de água, o mesmo volume que foi acrescido ao Pindaúva com as nascentes recuperadas. “Isso significa que, em períodos de estiagem, o volume do rio é suficiente para o abastecimento público”, afirma Jacovassi.
Para o secretário Jayme Ayres, com esse maior volume de água, a cidade torna-se mais atrativa para indústrias. “Estamos começando a construção de um parque industrial e a oferta de água é importante para a atividade econômica, além, é claro, de poder absorver um aumento de população”, avalia.
Agricultores satisfeitos– Em sua propriedade de 56 alqueires, o produtor Virgilino Hessmann já fez o trabalho de recuperação de oito nascentes, e ele afirma que existem outras cadastradas que vão passar pelo processo de recuperação. “Agora a água não tem mais nenhuma sujeira, ela chega mais limpa em casa. Aumentou também a quantidade da água”, conta.
O primeiro agricultor a aderir ao projeto, Valdir Soares Machado, dono de 2,5 alqueires, conta que não fazia ideia de que havia tanta água em sua propriedade. Já fez a recuperação de duas nascentes, que estavam soterradas, e ainda tem mais três a serem recuperadas. “Ver a água jorrar foi muito lindo. Antes, a gente demorava 10 minutos para encher uma garrafa de 2 litros. Agora, a água é incessante, abastece a minha casa e, quando meus parentes vêm aqui, eles levam água pra cidade. O poço agora é só para lavar roupa e para a criação”, conta.
O funcionário Márcio José Zanarda, que trabalha no Departamento de Meio Ambiente, é responsável pela fiscalização do projeto nas propriedades. Ele trabalhou em todas as propriedades para identificar as minas d'água. “Adoro este trabalho, pois consigo ver o benefício. Fico maravilhado, porque os resultados não são apenas para os produtores, mas para toda a população.”