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Pesquisa e Inovação

Sanepar usa plantas para criar estação de esgoto lixo zero em Curitiba

Com a implantação do sistema que utiliza plantas no tratamento do lodo, a Estação CIC Xisto, em Curitiba, vai ser uma das maiores do mundo em atendimento de pessoas, com eficiência estimada de 98% na redução do volume de resíduos

23/04/2026 -
Curitiba

Alinhada às necessidades ambientais de investir em sistemas que contribuam com o movimento Zero Waste (lixo zero), a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) está instalando o modelo de wetland na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) CIC Xisto, em Curitiba, que utiliza plantas no processo de purificação dos dejetos.

O projeto faz parte das obras de ampliação da estação, que vai ter a capacidade de tratar os dejetos coletados de 787 mil pessoas que vivem na área da Bacia do Iguaçu. Neste mês de abril, a instalação do novo modelo, que é uma Solução Baseada na Natureza (SBN), deve ser concluída com o plantio de 110 mil mudas de macrófitas em uma área de 25 mil m². 

Nesse espaço, as mudinhas serão responsáveis por transformar a parte sólida do esgoto tratado — o lodo — em biossólido. Essa iniciativa faz parte dos investimentos da Companhia em apostar na transformação de um passivo (o lodo) em um ativo, visto que seu tratamento pode resultar em biogás e fertilizantes.

APROVEITAMENTO TOTAL – Na ponta do lápis, a wetland é um modelo com potencial de reutilização de 100% dos resíduos: 98% do lodo que entra em uma das células da wetland é consumido no local por microrganismos e pelas próprias plantas. 

Os outros 2% resultantes do processo de mineralização são biossólidos, matéria com aspecto de húmus, reutilizável como fertilizante ou na geração de energia térmica ou elétrica (a partir da produção de biogás).

“Reduzir o descarte de resíduos é um dos grandes desafios de todas as cidades do mundo. Ao investir neste modelo baseado em soluções da natureza, a Sanepar reafirma seu compromisso com a preservação do meio ambiente”, destaca o diretor-presidente da Companhia, Wilson Bley.

MAIOR EM PESSOAS ATENDIDAS – A Sanepar já tem wetlands em outras cidades do estado, mas a que está sendo criada na ETE CIC Xisto, no bairro Tatuquara, além de ser a primeira na capital paranaense, é uma das maiores nesse modelo em capacidade do número de pessoas a serem atendidas com o serviço, afirma a empresa responsável pelo projeto e pela execução da ampliação da unidade.

“A Sanepar aceitou o desafio de criar, em Curitiba, não a maior wetland em área, mas, em termos de atendimento à população, a maior que existe”, ressalta o gerente de projeto da Gel Engenharia, Guilherme Goetze.

REDUÇÃO DE CO2 E AUMENTO DE O2 – Uma wetland — também conhecida como “jardim de mineralização” — é um ambiente com macrófitas, plantas com grande “apetite” por nutrientes, em que o lodo é depositado formando um ecossistema rico em microrganismos. Ao mesmo tempo em que as plantas absorvem os nutrientes, os microrganismos se encarregam de decompor a matéria.

É um sistema que contribui com o meio ambiente ao reduzir a carga de gás carbônico (CO2) produzido pela estação e pelo aumento na liberação de oxigênio (O2) com as áreas plantadas. Para a empresa, o bônus vem com resiliência econômica, com menos energia elétrica gasta no processo e menos produtos químicos.

VIVEIRO E JARDIM PILOTO – A eficiência do sistema vem sendo testada desde outubro de 2025, com um jardim mineralizador piloto, em que o desenvolvimento da espécie escolhida para o plantio, a Arundo donax (mais conhecida como “cana-do-reino” ou “cana-da-roça”), conta com o acompanhamento de uma bióloga. A altura que as mudas atingiram em cinco meses — mais de dois metros — é um dos fatores que apontam o êxito da área de testes.

NO TEMPO DA NATUREZA – A purificação do lodo obedece ao ritmo da natureza: as plantas, que podem atingir entre 3 e 4 metros, vão permanecer “trabalhando” pelos próximos oito anos. “No modelo de wetland, deixamos de usar energia ou produtos químicos no lodo resultante do tratamento de esgoto; a própria planta faz a decomposição orgânica na zona de raízes”, explica o coordenador de obras da Sanepar, Murilo Cunico.

NA COP 30 – A etapa inicial do tratamento dos dejetos — responsável pela separação do líquido do sólido — também faz parte das obras, com a implantação de biorreatores combinados anaeróbio-aeróbio (BRC), que vão tornar a qualidade da água que retorna ao Rio Barigui ainda melhor e quase triplicar a capacidade de tratamento (de 490 para 1.368 litros por segundo), preparando a infraestrutura em saneamento para o crescimento da Região Metropolitana de Curitiba.

As obras de ampliação da CIC Xisto estão sendo feitas com a estação em funcionamento, com um investimento de R$ 375 milhões em crédito verde, captados pela Sanepar no Eco Invest, linha de financiamento vinculada ao Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC) com apoio do Banco do Brasil. 

O projeto foi apresentado pela instituição financeira como modelo de investimento em iniciativas sustentáveis ao meio ambiente na COP 30, em Belém (PA).

PIONEIRISMO – Desde 2020 a Sanepar investe em tecnologias SBN. A primeira wetland da Companhia foi em Santa Helena. Depois vieram as unidades de Assis Chateaubriand, Vera Cruz do Oeste, Cambará, Cornélio Procópio e Joaquim Távora. O modelo está sendo implantado em Serranópolis, Saudade do Iguaçu, Turvo, Pinhão e Palotina.

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